quinta-feira, 19 de abril de 2012

Os índios da bola

No geral, os indígenas não tem muito o que comemorar no Dia do Índio.Caiapós e outras etnias tentam não serem esmagados por Belo Monte. Caingangues no Rio Grande do Sul,  Kaiowas em Mato Grosso, Tupinambás na Bahia e Ianomamis em Roraima vivem em constante conflito por terras com fazendeiros.

No futebol pelo menos, as coisas estão bem melhores. O Gavião Kyikatejê virou presença constante no futebol paraense. Para aprimorarem a técnica, buscaram o contato com o homem branco. A união das raças quase deu em acesso em 2010, quando o Gavião só não subiu depois de perder nas semifinais para o Abaeté. Em Roraima, índios macuxis são presenças constantes nos times locais.

A história do futebol brasileiro conta sobre vários índios. Alguns legítimos. Outros nem tanto.

Garrincha - Descendente dos fulniô, índios que vivem entre Pernambuco e Alagoas, o "Anjo das Pernas Tortas" foi disparado o indígena de maior sucesso no futebol nacional. Campeão do mundo em 1958 e 1962 e maior ídolo da história do Botafogo. Conseguiu driblar todos os adversários, exceto o álcool, que o levou em 1983, aos 49 anos.

Índio (Internacional) - O paulista não é um legítimo índio. Por causa dos cabelos compridos, que lhe davam aspecto indígena, ganhou o apelido quando ainda atuava no futebol de várzea da terra natal, Maracaí, interior de São Paulo, próximo a divisa com o Paraná. Passou por clubes do interior de SP com razoável sucesso até chegar ao Juventude, onde o futebol de raça chamou a atenção do Palmeiras, de onde saiu após ser "possuído" por um espírito, como teria testemunhado um dirigente palmeirense. No Internacional, foi campeão do mundo de clubes e se tornou ídolo.

Índio (Corinthians) - O discreto lateral é da etnia xikrin, do interior alagoano. Mesmo sem muito apetite ofensivo, conseguiu seu lugar no Corinthians campeão brasileiro de 1998 e mundial em 1999. Depois de sair do Timão, nunca conseguiu se firmar em lugar nenhum. Chegou a passar pelo Remo em 2010, onde foi um verdadeiro fracasso.

Índio (Santos) - Mais um falso índio. Assim como o homônimo corinthiano, era lateral-direito. Mas o mineiro de Almenara era mais ousado no ataque e de cruzamentos precisos que consagraram Guga e Paulinho Mclaren no início da década de 90, no Santos. Chegou a ser cogitado para a Seleção Brasileira, mas nunca vestiu a amarelinha. Ainda jogou no Palmeiras e no Flamengo, mas abalado pela bronquite, não conseguiu repetir o mesmo desempenho dos tempos de Vila Belmiro e acabou a carreira aos 32 anos.

Índio (Vitória) - Outro que também não sabe o que é uma aldeia. Mas o atacante cearense aproveitou apelido para fazer marketing de si mesmo e fazia questão de comemorar os gols imitando uma flechada. Virou ídolo do Vitória, passou um tempinho na Coréia e voltou para o Leão em janeiro de 2012, mas só reestreou em março, por causa de uma lesão na panturrilha

Aru e Awatiwai - Ambos são da etnia Gavião Kyikatejê e jogaram pelo time da aldeia. Trombador, Aru ainda jogou pelo Ananindeua, Tuna e São Raimundo, sem muito sucesso. O segundo, um lateral-direito que ainda passou pelo São Raimundo. Ninguém o notou lá em Santarém.

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