Em 2011, o Rio Branco apelou para a Justiça Comum para cancelar a interdição da Arena da Floresta e poder jogar em casa na Série C do Brasileiro. Os velhinhos da CBF, no Rio, assim como os da Fifa, em Zurique, não podem ouvir falar na justiça dos pobres mortais. Por causa disso, perdeu os pontos conquistados.
Sem nenhum ponto, deveria ser rebaixado, pois assim, ficaria atrás do Araguaína-TO. Mas a entidade máxima do futebol nacional decidiu por um procedimento bizarro. Tirou o Estrelão da disputa da Segunda Fase da C, mas não o rebaixou. O Tourão do Norte é quem foi para a Série D.
A injustiça, assim como a justiça é cega. O acordo de 2011 agora cobra a conta. E os 60 clubes que disputarão as séries C e D pagam por isso. As duas divisões, que deveriam começar neste final de semana, não vão mais.
O Brasil de Pelotas se aproveitou do precedente aberto pelo acordo CBF-Rio Branco e também entrou na Justiça Comum para voltar para a Série C. O Xavante foi rebaixado por causa da perda de seis pontos, devido a escalação irregular do lateral Cláudio no jogo contra o Santo André. Cláudio foi expulso quando jogava pelo Ituiutaba-MG, em jogo contra o ABC-RN, pela Série C de 2010 e deveria cumprir suspensão. Não cumpriu. Os gaúchos alegaram que não foram notificados da suspensão de Cláudio. Um documento da Federação Mineira não falava de punições ao lateral. Não adiantou e o Brasil foi rebaixado no lugar do Santo André.
Na semana do início das duas séries, o Brasil apelou para justiça comum do RS, que determinou a volta do Xavante para a Série C. O Santo André contra-atacou e conseguiu uma liminar o mantendo na Terceirona. Caos generalizado.
Do outro lado do país, o Treze-PB resolveu entrar no rolo entre acreanos e tocantinenses. Na interpretação dos paraibanos, a vaga do Rio Branco é do quinto colocado da Série D de 2011. No caso, o próprio Galo da Borborema, que sem medo, apelou para a justiça comum paraibana. O monstro criado pela CBF no meio da floresta no Acre expandia seus tentáculos. E o STJD decidiu então que a bola só poderia rolar depois que esse monstro deixasse o campo.
O que impressiona no caso é a agilidade dos magistrados gaúchos,paraibanos, acreanos e paulistas. Para o pobre mortal que não tem relação com o futebol, normalmente sofre muito mais.
E o apelo dos clubes para a justiça comum mostra a "credibilidade" que o STJD possui junto aos clubes. Se transformou em um circo onde magistrados julgam utilizando pesos e medidas variáveis. Parece as vezes um comércio, onde o resultado depende da cara do "freguês". Documentos ignorados, lei contrariada, interpretações exdrúxulas. Com a calmaria que as Séries A e B se transformaram fora de campo, os engravatados do Rio de Janeiro viram na Terceira e Quarta divisão uma chance de terem novamente o holofote voltado para eles.
Conseguiram. Jogamos as tabelas no chão e colocamos livros jurídicos no lugar. Nada de entrevistas com jogadores e torcidas sobre a expectativa para mais um campeonato. Lá vamos nós atrás de juristas do mundo esportivo. O gol virou mesmo um detalhe, como disse Carlos Alberto Parreira.
E pensar que toda esta confusão começou porque o MP acreano, em um lindo dia de 2011, achou que o assunto mais relevante que tinha a tratar era a interdição da Arena da Floresta, um dos estádios mais modernos do norte do Brasil.
Politicagem 1, Futebol, 0.
E todos nós somos derrotados.
Meu amigo, perfeita a sua abordagem. O monstrengo de 2011 cobrar sua conta agora.
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