domingo, 13 de maio de 2012

Remo sem divisão


O futebol do Pará ficou mais de 100 anos sem saber o que é ter um campeão do interior.

Descobriu ano passado com o Independente.

E tomou gosto pela coisa.

Em 2012, foi a vez do Cametá, que será o representante do Pará na Série D.

Sorte dos adversários, que terão o prazer de conhecer a simpática terra de Dom Romualdo de Seixas, arcebispo primaz do Brasil nos tempos de Dom Pedro I

Terra de Kim Marques, o compositor que criou parte dos sucessos da Banda Calypso.

E terra do delicioso mapará, o peixe do rio Tocantins que generosamente banha Cametá.

O lado ruim desta história é o Clube do Remo.

Uma das mais fanáticas torcidas do Brasil verá seu time sem divisão.

Pelo segundo ano consecutivo.

Uma vitória por dois gols de diferença daria o título a vaga na Quarta Divisão Nacional.

Aos 26 do segundo tempo, Fábio Oliveira fez 2 a 0.

Mas aos 40, Garrinchinha diminuiu.

O jogo iria para os pênaltis.

“A bola pune”, disse Muricy.

Mas nem o técnico do Santos devia imaginar que ela fosse capaz de tamanho sadismo.

No último minuto, Soares empatou.

Os mais de 32 mil remistas não mereciam tamanho castigo.

Mas os dirigentes, sim.

Por mais um ano sem planejamento.

Mais um ano de atraso de salários.

Mais um ano de fogueira das vaidades acesa entre a cartolagem.

Enquanto os dirigentes se preocupavam em alimentar o ego nos microfones da imprensa local, o clube ficava mais um ano sem novas receitas.

Dependia exclusivamente da renda dos jogos.

Disso, os cartolas azulinos não podem reclamar.

Foi do Remo o maior público do Parazão e o segundo da Copa do Brasil.

Torcida fanática e que conhece bem o time que os cartolas montaram.

A ponto de implorarem para que Águia e Remo jogassem no Baenão e não no Mangueirão

O estádio Olímpico era muito mais adequado para a decisão do Segundo Turno.

Mas a torcida, sabedora da inferioridade técnica de seu time, preferia passar calor e se apertar no estádio remista, confiando no seu poder de fazer o Leão superar suas enormes limitações.

Que clube tem uma torcida que ama mais o clube do que a si própria?

Só amor não constrói.

A incompetência destrói.

O Remo vira as costas para a modernidade, para a gestão consciente, insiste em ser medieval.

O que fazer agora?

Esperar por uma desistência.

Porque o estado dono de seis títulos nacionais só tem uma única vaga na Série D.

Igual Roraima.

O presidente da federação local não lutou para corrigir esta injustiça.

Sempre foi dócil ao ex-presidente da CBF, que em troca, o premiou com a chefia da delegação da 
Copa das Confederações.

E se a ninguém desistir?

O jeito será mais uma vez rodar pelo interior do Pará, jogando em campos de várzea contra equipes amadoras.

E a torcida vai junto, esperando por dias melhores.

Até quando?




3 comentários:

  1. São 03 anos consecutivos já, e não 02. Infelizmente a cartolagem chegou até o "submundo" do futebol paraense. Vamos ver até que ponto chega isso, afinal os "grandes times" do norte, não conseguem passar de motivo de chacota aqui no sudeste. Se resumiram à um secar o outro e, embasbacados, verem os times do interior ganharem, mesmo com folha salarial e técnica inferior. Pena de nós torcedores, que fingimos não ver a cartolagem e ainda sim, acreditamos na volta dos tempos áureos de Remo e Paysandu.

    @lia_mendonca

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  2. eh muito triste ver uma torcida apaixonada ficar sete meses sem colocar a bandeira no carro ou na porta de sua casa, assim como batuque da torcida ficar sem tocar, Cametá ganhou por mérito nas quadro linha mas se torcida ganhasse jogo o Remo sempre seria campeão.

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  3. É ISSO QUE FICO INDIGNADO, O PARÁ TEM APENA SUMA VAGA NESSA MALDIA SERIE "D" IGUAL RORAIMA, AMAPÁ, E OUTROS DO MESMO NÍVEL TRISTEZA E NOSSA FEDERAÇÃO É DE IGUAL NÍVEL, BAIXO...

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