sábado, 30 de junho de 2012

De volta para o futuro

Era um garoto de 15 anos quando vi pela TV a cena do presidente do Fluminense estourando um champagne em Laranjeiras para comemorar a virada de mesa que mantinha o Flu na Série A do Brasileiro de 1996. Como muita gente se lembra, o Tricolor caiu para a Série B no campo, mas não foi rebaixado porque segundo o presidente da CBF da época, o esquecível Ricardo Teixeira, "houve irregularidades nas arbitragens".

Mas por incrível que pareça, nenhum chefe da arbitragem foi punido. Nenhum árbitro. E se os rebaixamentos de Bragantino e Fluminense foram anulados, o título brasileiro do Botafogo também deveria. Nesta sexta-feira, voltei a ter 15 anos. Ou pelo menos a ter o mesmo sentimento da época. Foi de dar asco ver a torcida do Treze soltando fogos para comemorar a ida do time para a Série C através da justiça e não do campo.

Vou deixar claro mais uma vez, especialmente para alguns trogloditas de Campina Grande (felizmente são poucos), que estão hostilizando jornalistas mais importantes do que eu, que não tenho absolutamente nada contra o Treze e nem contra o futebol paraibano. O Galo merece respeito pela sua história e por manter junto com o Campinense, uma das mais acirradas rivalidades do interior do Brasil. Um clube como o Treze não merecia ficar sem calendário. Mas pelo que fez em 2012, mereceu.

Falo mais uma vez: a vaga na Série C não é do Treze. Opinião minha e de praticamente todos os presidentes de clubes da Série C. E de jornalistas mais renomados que este escriba. E por motivos dos quais já escrevi aqui.

Se o acordo entre Rio Branco e STJD foi lamentável, tão nocivo quanto foi a Justiça Paraibana fazendo as vontades do Treze após o clube perder o direito de disputar a Série C no STJD, em 2011. A alegação do Galo, de que deveria ficar com a vaga do Rio Branco por ter sido colocado na Série D de 2011, foi rejeitada no Rio, mas aceita pelos magistrados paraibanos que aliás, passaram a agir a favor do Galo depois que o clube sucumbiu no Campeonato Paraibano e perdeu para o Sousa a vaga na Série D.

Se o Treze entrar em campo na quarta-feira, contra o Salgueiro, começa uma página triste na história do futebol brasileiro. Abre-se a possibilidade de clubes entrarem na Justiça Comum toda vez que o resultado no campo não for de seu agrado. Um bom advogado terá tanto valor quanto um bom jogador. Nada contra os "doutores". Mas para os apaixonados por futebol, vale mais um gol de alguém de uniforme e chuteira do que um gol de um engravatado.

A CBF já disse que vai recorrer. Melhor que não façam nada. Porque de um Departamento Jurídico que não sabe a diferença entre multa e caução não se pode esperar muito. Que consigam advogados mais qualificados porque várias batalhas virão a partir de agora.

E que o STJD caia no esquecimento. O acordo feito com o Rio Branco é uma das peças mais imorais de um esporte já imoral nos seus subterrâneos.

O futuro repete o passado.

Mas esse museu não é de grandes novidades.

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